quinta-feira, 16 de outubro de 2008

NEURÉTICA (Kant com Sade)




Giovana


Obrigada pelas palavras - em especial o recorte sobre o Pathos
[1] veio muito a calhar com o que ando pesquisando. Estou escrevendo o projeto para o doutorado sobre Literatura e Pulsão de Morte (essa força interna que nos leva para a destruição e para a finitude, mas que é tb o q possibilita a vida). Um tempo atrás, no grupo Escrita e Psicanálise, quando estudávamos o seminário da Ética de Lacan (onde ele fala das tragédias gregas), escrevi um textinho que agora compartilho com vc:

Kant com Sade – sobre “neurética”

Não cessa de não se calar em mim a interrogação sobre os olhares possíveis para o sofrimento – ou seria para o sofredor? Dependendo do olhar (ou melhor, do sujeito que olha) vê-se um herói, um masoquista, um miserável e/ou o belo.
Que relação existe entre a vítima, o belo e o sofrimento? Existe tudo isso sem a lei? Existe vítima sem carrasco? Existe prazer e gozo no sofrimento? E no fazer sofrer? Mas, afinal, o que é o sofrimento?
Parece que a escrita tem uma relação privilegiada com a fantasia, que é nada menos que um dos pilares que sustentam as questões acima. Além disso, a ética se coloca também como conceito fundamental nesta discussão. Sade coloca que a escrita pode fazer ver o que do homem existe em potência, o que ele pode vir a ser caso se deixe mover pelas paixões (no sentido de Pathos, paixão/sofrimento). Não foi isso que fez Antígona?
Sade fala de vítimas ornadas de belezas – e Lacan também. Freud falava em miséria neurótica. Sade também? Qual a relação entre a miséria, o sofrimento e o belo? Certamente não responderei agora. Mais Kant, mais Sade, mais Direito, mais Literatura, e mais tinta na pena...

Não sei exatamente porque lembrei dele hoje, acho que tem a ver com o que você traz sobre o sofrimento psíquico que não deixa marcas visíveis - mas certamente deixa marcas cuja cicatrização pode levar mais tempo que uma chaga aberta. Neste texto quis juntar "neurótico" com "ética", ficou "neurética", uma espécie de ética maluca que nos move e nos deixa, inclusive, fazer parte de abusos que poderiam ser evitados... Enfim, mistérios da alma...

Mariana Lange
Psicóloga

[1] Ver em AGRADECIMENTOS

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