quinta-feira, 16 de outubro de 2008

FICHA TÉCNICA

FICHA TÉCNICA DO CURTA-METRAGEM “DA JANELA”

DIREÇÃO: Giovana Zimermann E Sebastião Braga,
ROTEIRO E STORYBOARD: Giovana Zimermann,
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Sofia Mafalda E Fabiola Becker
EDIÇÃO: Tiago Santos,
ELENCO: Elianne Carpes, Giovana Zimermann, Luiz Claudio Leite,
Marcos José Santin, Marta Cesar E Noara Quintana.
PREPARADORA DE ELENCO: Elianne Carpes,
DIREÇÃO DE ARTE: Lina Lavoratti,
DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA: Martin Carvalho,
ELETRECISTA: Dill,
TRILHA SONORA: CURANDERA: COMPOSIÇÃO E VOCAL: Guilherme Zimermann Kummer
ARRANJO MUSICAL: Frederico Teixeira e Du Gomide.
STILL: Anelise Borges.

TRADUÇÃO ESPANHOL: Alejandra Maria Rojas Covalski
TRADUÇÃO EM FRANCÊS: Clarissa Laus

ASSISTENTEDE DE ARTE: Stella Bloss, Figurino: Moara Costenaro
ASSISTENTES: Silvio César e Lua
MAQUINISTA: Ricardo Xará
SOM DIRETO: Paraíba
MAKING OFF: João Abreu Dias
DESIGN GRÁFICO: Giovana Zimermann

NEURÉTICA (Kant com Sade)




Giovana


Obrigada pelas palavras - em especial o recorte sobre o Pathos
[1] veio muito a calhar com o que ando pesquisando. Estou escrevendo o projeto para o doutorado sobre Literatura e Pulsão de Morte (essa força interna que nos leva para a destruição e para a finitude, mas que é tb o q possibilita a vida). Um tempo atrás, no grupo Escrita e Psicanálise, quando estudávamos o seminário da Ética de Lacan (onde ele fala das tragédias gregas), escrevi um textinho que agora compartilho com vc:

Kant com Sade – sobre “neurética”

Não cessa de não se calar em mim a interrogação sobre os olhares possíveis para o sofrimento – ou seria para o sofredor? Dependendo do olhar (ou melhor, do sujeito que olha) vê-se um herói, um masoquista, um miserável e/ou o belo.
Que relação existe entre a vítima, o belo e o sofrimento? Existe tudo isso sem a lei? Existe vítima sem carrasco? Existe prazer e gozo no sofrimento? E no fazer sofrer? Mas, afinal, o que é o sofrimento?
Parece que a escrita tem uma relação privilegiada com a fantasia, que é nada menos que um dos pilares que sustentam as questões acima. Além disso, a ética se coloca também como conceito fundamental nesta discussão. Sade coloca que a escrita pode fazer ver o que do homem existe em potência, o que ele pode vir a ser caso se deixe mover pelas paixões (no sentido de Pathos, paixão/sofrimento). Não foi isso que fez Antígona?
Sade fala de vítimas ornadas de belezas – e Lacan também. Freud falava em miséria neurótica. Sade também? Qual a relação entre a miséria, o sofrimento e o belo? Certamente não responderei agora. Mais Kant, mais Sade, mais Direito, mais Literatura, e mais tinta na pena...

Não sei exatamente porque lembrei dele hoje, acho que tem a ver com o que você traz sobre o sofrimento psíquico que não deixa marcas visíveis - mas certamente deixa marcas cuja cicatrização pode levar mais tempo que uma chaga aberta. Neste texto quis juntar "neurótico" com "ética", ficou "neurética", uma espécie de ética maluca que nos move e nos deixa, inclusive, fazer parte de abusos que poderiam ser evitados... Enfim, mistérios da alma...

Mariana Lange
Psicóloga

[1] Ver em AGRADECIMENTOS

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

DA JANELA – REAL E MIDIÁTICA


Continuamos assistindo pelos noticiários -janelas midiáticas - a abominável dominação masculina: Jovem de 15 anos é mantida refém pelo ex-namorado.

Já são quase dois dias de drama e mais de 40 horas de tensão. O ajudante de produção Lindenberg Fernandes, de 22 anos, mantém refém a ex-namorada de 15 anos, num conjunto habitacional em Santo André, na Grande São Paulo. No fim da noite de terça-feira (14), ele libertou a outra menina que estava em seu poder. (...) A polícia só chegou por volta das 21h de segunda-feira (13), quando o pai de um adolescente acionou a polícia porque veio buscar o filho no apartamento e foi ameaçado por Lindenberg. Ele já libertou dois rapazes na noite de segunda e uma amiga da ex-namorada na noite de terça-feira (14). Mas a ex-namorada Eloá, de 15 anos, continua sob poder dele. As janelas estão fechadas. Lindenberg ainda não fez qualquer tipo de contato. A polícia tentou por celular negociar a rendição. O seqüestrador pediu para que a luz fosse religada. O fornecimento, que tinha sido cortado às 16h, foi normalizado pouco antes das 23h. Em troca, uma das reféns foi solta. Naiara é amiga de Eloá, ex-namorada de Lindenberg. “Ela está bem, um pouquinho nervosa e abalada. Aparentemente ela não tem nenhuma marca”, disse Adriano Giovanini, capitão do Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar. Naiara disse à polícia que as duas foram amarradas e que viu o jovem agredir a ex-namorada. “Quem foi agredida foi a Eloá. A Naiara não foi. Agressão, chute, soco, puxar o cabelo, esse tipo de agressão”, contou um policial. (...)As adolescentes foram rendidas no começo da tarde de segunda-feira (13). O ajudante de produção Lindenberg Fernandes, de 22 anos, invadiu a casa de Eloá, de 15 anos, porque não se conformava com o fim do relacionamento. Segundo amigos de Eloá, Lindenberg era bastante ciumento, que costumava esperá-la na saída da escola. Desde a invasão, ele disparou quatro tiros. (...)
http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL799327-16020,00-JOVEM+E+MANTIDA+REFEM+POR+MAIS+DE+HORAS+EM+SAO+PAULO.html

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

AGRADECIMENTOS


Quero agradecer toda equipe Da Janela!
Nunca imaginava poder contar com profissionais de tamanha qualidade, e tão envolvidos para que o trabalho fique bom!
Ficará! Nós merecemos!
Desde o principio, me sentia guiada por sinais, que me estimulavam a prosseguir e apresentar esse tema tão delicado, através da sensibilidade da arte.
Em 2002, me foi revelado um “trauma”, (um estupro sofrido por uma garota em S J dos Pinhais – PR), depois já quando escrevia o roteiro, presenciei no trânsito a cem metros da minha casa, uma mulher sendo empurrada para dentro de um carro, (marido inconformado com separação tenta levar mulher a força de volta para casa). O projeto foi aprovado em 2005, porem a verba ainda demorou 3 anos para chegar, tempo suficiente para que eu mesma pudesse experimentar a violência conjugal psicológica, uma das mais injustas, pois não deixa marcas visíveis. E para finalizar, no dia mais delicado de gravação, surge um depoimento de uma assistente social, espectadora do páthos trágico de uma mulher mutilada pelo seu “marido”. Quer mais!
Na antiga Grécia, as tragédias mostravam que nenhuma cidade pode proteger o mortal contra a morte que nele habita.
“No substantivo páthos, no infinitivo pãnthein, é o padecer que se anuncia como condição mortal (...) Páthos é o que sofre, o sofrimento, mas também a experiência que, para os humanos se adquire somente na dor (...) é por ter sofrido que se compreende mas, tarde demais, se é verdade que a revelação só ocorre no fundo do desastre”. (LORAUX, 1992, P. 27) E começamos a nos perguntar, quem tira proveito do páthos trágico?
O espectador talvez!
É com este olhar e com esta preocupação que penso na arte como forma de exposição do páthos, recortando e emoldurando o que a sociedade tem recebido banalmente pelos noticiários.
Agradeço a imensa contribuição de todos! Somos a Equipe Da Janela, na busca de apresentar ao espectador uma forma sensível e cuidadosa desta triste realidade.
Será maravilhoso assistirmos a finalização desta “arte relacional” que juntou diversas pessoas, cada qual com sua participação, compondo uma narrativa dolorosa, porem poética.
Adorei trabalhar com todos vocês, não vamos nos perder, por favor!

Giovana Zimermann

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

CORRERIA

CORRERIA


No primeiro dia de filmagem, estava previsto uma cena em que o ator Luiz Claudio Leite, correria pela cidade. Apesar da polícia ter sido avisada, aconteceu um imprevisto. Quando ele se distanciou, pois na cena ele deveria vir de uma longa distância em direção a câmera, uma viatura parou justamente onde ele estava, e já se preparava para correr. Os policiais estavam abordando duas pessoas que consumiam drogas, e Claudio entendeu que se corresse ali, poderia estar encrencado, então nos ligou e comentou o imprevisto. Dirigimo-nos até o local, para comunicar aos policiais que estávamos realizando filmagens para um curta metragem e que o ator deveria correr em direção a câmera, apontamos para onde estava a equipe. A policial comentou: “se ele começasse correr aqui, sem avisar, iria para a parede”, depois de confirmar a autorização e reforçar que haveria uma “correria na região da Conselheiro Mafra” prosseguimos, conforme ilustração acima.

“Ao longo do filme a retomada ao espaço urbano, sempre é indicada por alguém olhando por uma janela, nesta cena o homem também olha para a cidade, mas se transporta para uma avenida a partir da sua íris, ele surge correndo em uma avenida”. Haverá uma música, “Fuga” um hip hop, que funcionará quase como um pensamento angustiado e ritmado.

Corre que corre que ele vai te pegar, corre que corre que ele vai te alcançar... (BANDA CURANDERA)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

LOCAÇÃO

CONSULTÓRIO LETRAS DA CLINICA: LOCAÇÃO CEDIDA POR ROSI, BEATRIZ E MARIANA AO CURTA “DA JANELA”

Giovana
Tenho acompanhado a construção do filme pelo blog. Adorei o roteiro! A história é ótima e o tema muito importante.
Fico contente que a janela do consultório possa dar lugar a estas outras narrativas. Trata-se de um lugar muito especial para mim, no qual tantas histórias são narradas, onde o traumático de alguma forma ganha uma possibilidade de representação, uma saída do mutismo muitas vezes imposto pela própria condição da situação violenta e traumática.
Desejo um bom trabalho a todos amanhã! Beijos,Beatriz

Querida Giovana
Fico contente em ver o trabalho se construindo e, de alguma forma, estamos fazendo parte dele.
Com carinho
Rosi

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

STILL


Linda Giovana
Espero que o seu dia esteja sendo bom também!
O meu começou muito cedo - acordei às 6h30 para "matar os leões" de hoje - mas com um gosto bom na boca. Vocês foram extremamente saborosos.

A equipe esta concisa, forte.
Todos sabendo bem de onde vieram e para onde estão indo.
Mas o mais importante: todos estão com muita vontade de estar ali!

Acredito que isso seja essencial para arte - a expressão artística é espontânea, e se depender da vontade da equipe DA JANELA, vocês já SÃO um filme muito bom!

Confesso que não trabalho do jeito que fiz ontem. Sou até bem prática, mas gosto de me sentir segura, estruturada (tripé, filtros, equipamento extra, etc).
Topei sem pensar e gostaria de ter feito um trabalho melhor, maior (ler roteiro antes, ouvir conversas de equipe, espiar bastante antes do ato), mas ambos éramos o que tínhamos, vocês me deram a informação que está ali, na esquina da Conselheiro Mafra com a Padre Roma, e eu tinha que ser o "still" que lhes faltava.

Eis que as cores, as sombras, as linhas e as formas fizeram o trabalho por si só.
E eu testemunhei.

Entrego o CD (cru, não vou visitar o Photoshop). Pra ser sincera, nem faz muito o meu estilo) Espero que gostem do resultado - eu gostei de qualquer maneira.

Outra coisa, acabo de receber uma notícia que pode ser boa: trabalho transferido em POA.
Se me quiserem, sou toda DA JANELA.

Para dar um gostinho, aqui vão algumas imagens da noite bonita que inaugurou outubro.

Grande beijo,
Anelise BORGES
01/10/2008